Privilegiando o simples (parte 1)

Desde o início da década de 90 com a chegada do Windows 3.11 fui usuário de sistemas baseados em mouse, janelas e a metáfora da mesa de trabalho: desktop com ícones, uma barra de atalhos para abrir programas, capacidade de mover e redimensionar janelas, alternar entre elas com algum comando do tipo Alt+Tab.

As janelas em diferentes sistemas tem quase que invariavelmente uma barra de titulo no topo usada para movê-las até o lugarzinho certo, uns cantos e bordas específicas para você redimensionar e deixá-las no tamanho perfeito, botões de maximizar… e também de minimizar, para tirá-las da frente das outras janelas que você precisa alcançar.

Estes pedágios e ruído/poluição são tão naturais que alguns sistemas como o MacOS X possuem atalhos para exibir todas janelas ao mesmo tempo (Exposê) ou atalhos específicos para você esconder tudo e ver a "mesa" (Windows+D no windows).

Mesa esta que, evidentemente, estará parecida com uma mesa da vida real: cheia de lixo espalhado, dezenas de ícones de coisas que você baixou da internet ou simplesmente salvou na pasta Desktop por comodidade.

Eu tinha um hábito de ocasionalmente selecionar todos os ícones do desktop e jogar numa pasta de nome _desktop01, e assim conviver num ambiente limpo por um tempo… Quando o acúmulo de ícones se repetia e eu então selecionava tudo de novo (inclusive a pasta _desktop01) e movia para uma nova pasta de nome _desktop02, e assim sucessivamente, até o dia de formatar o micro e "recomeçar do zero", fazendo obviamente backup da pasta desktop26 pois haveria coisas que eu não queria perder lá…

Em alguma versão do MacOS X alguém teve a brilhante sacada de inventar a pasta Downloads e fazer com que todo download de browser fosse por padrão para lá. Mas tanto esta quanto as outras: o Exposê, o atalho de mostrar desktop, a capacidade de utilizar múltiplos desktops, alternar entre eles com gestos, o próprio Alt+Tab, ou mesmo soluções de terceiros como Quicksilver, Divvy, etc atacam os sintomas e não o problema.

E qual é o problema?

Janelas flutuantes são o problema, docks lançadores de aplicações são o problema, espaço para entulhar com ícones são o problema, perder tempo com micro-tarefas de alternar entre janelas, mover janelas, redimensionar janelas é o problema.

O fato do ambiente privilegiar a distração e ter sido feito com o apontar do mouse como meio de navegação em mente é o problema!

Qual a saída?

Mudar o paradigma: usar um window manager focado em teclado, preferencialmente tiling. Eu uso e recomendo o i3, será o tema do próximo post.

Fabricio Campos Zuardi

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