Plugins são ruins. - Viver sem Flash (parte 2)

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Plugins são ruins (se rimou, deve ser verdade…), primeiramente porque são uma porta de entrada para software não auditável, ou seja, nem todos os plugins possuem o código fonte aberto e portanto o que cada plugin fechado realmente executa pode ser bem mais do que ele diz executar.

O uso de plugins historicamente tem sido uma forma de oferecer funcionalidades extras que os padrões da web (HTML) não oferecem(iam). Uma forma de extender a capacidade do navegador, implementar inovações e funcionalidades não previstas de maneira mais rápida, sem esperar os longos processos de consenso e padronização. E também historicamente tem sido vetores de múltiplos problemas de segurança e má performance.

Muitas destas inovações foram boas. Inicialmente os padrões não previam formas de exibir conteúdo multimídia, imagens vetoriais, documentos e aplicações em outros formatos portáveis, nada disso era parte do HTML ou viavel de se implementar em Javascript.

Com o passar do tempo, boa parte destas inovações foram entrando para a especificação aberta da web, e os navegadores foram se modernizando e implementando-as. O que um navegador consegue fazer hoje sem a ajuda de plugins é impressionante.

Atualmente, o benefício baixo trazido pelos plugins parece não superar mais os malefícios trazidos por suas implementações (muitas vezes secretas, mal feitas e inseguras). No entanto, a utilização e dependência deles por parte de quem desenvolve os sites e serviços que usamos continua… seja por comodidade, seja por ignorância ou por pura má fé.

Quando websites populares como Facebook ou Youtube dizem que você precisa de um Flash Player para exibir um vídeo caseiro, eles não estão sendo totalmente sinceros. Você não precisa.

Quando a Netflix diz que você precisa de um plugin do Silverlight (ou EME) para assistir streaming de vídeo eles também não estão sendo totalmente sinceros. Ninguém com um navegador moderno, em teoria, precisaria.

Navegadores conseguem exibir vídeo sem plugin há um bom tempo, com o elemento <video> e codec WebM/VP8 ou VP9. Então a funcionalidade destes plugins fechados da qual eles realmente necessitam não é a funcionalidade de tocar o vídeo apenas, mas também outras adicionais. E é aí que a falta de sinceridade pega.

Warning DRM: product restricts usage or invades privacy

Se eles dissessem abertamente o real propósito da utilização do plugin, muita gente provavelmente não aceitaria a proposta: "precisamos de um plugin fechado para poder te espionar", "precisamos de um plugin fechado para podermos impor limitações artificiais que ferem seus direitos de uso legítimo", "precisamos de um plugin fechado para podermos obrigar você a assistir propagandas", "precisamos de um plugin fechado para podermos cobrar 2 ou 3 vezes pela mesma coisa a cada aparelho ou sistema diferente que você tenha/use", "precisamos de um plugin fechado para podermos apagar conteúdo seu da sua máquina sem seu consentimento".

Hoje a necessidade das funcionalidades extras de um plugin (ou um CDM no caso do EME que a fraca e decadente Mozilla decidiu aceitar) não é mais do usuário como já foi um dia. As funcionalidades extras de um plugin, via de regra são para agir contra os interesses do usuário.

(Um adendo, quando um site de banco te diz que precisa de um plugin Java para acessar funcionalidades de um bankline de forma segura, eles também estão mentindo. Você não precisaria.)

Fabricio Campos Zuardi

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